SEGUNDO DIA DA APOSTA:
-Quem for terminando a prova, me entregue e saia da sala por favor. – A professora de literatura disse e todos começaram a fazer a prova. Odeio literatura, odeio literatura, odeio literatura! Aquela prova estava muito difícil e chata, odeio literatura! Depois de um tempo, as pessoas começaram a sair e entregar a prova. Os únicos que tinham entregado era Danny, Harry e Tom e mais um cara que eu não faço idéia quem seja. Me levantei e segui até a mesa da professora e entreguei as três folhas que formavam a prova.
-Obrigada Poynter. – A professora sorriu e eu sorri de volta. Sai da sala e segui pelos corredores até o pátio onde os dudes estavam sentados em uma mesa conversando.
-Fala pegador! Quero dizer, Poynter. – Harry sorriu quando me viu aproximar.
-E ae dudes. – Sorri e me sentei também.
-E como vai à aposta em? – Tom sorriu. Ele sempre tem que me lembrar disso né?
-Na mesma. – Disse dando de ombros.
-Já conseguiu chamar a garota pra sair em? – Danny perguntou.
-Nop. – Disse colocando um salgadinho na boca.
-HOHO então você era o pegador, né? – Harry riu.
-Ah vai se ferrar! Ela é difícil poxa! – Disse e eles riram. Me sentei e logo avistei a estranha, digo Katarinna passando correndo até um corredor vazio. Me levantei e sai correndo atrás dela.
-Katarinna! Katarinna! – Gritei atrás dela. Ela se virou e se encostou na parede.
-O que você quer Poynter? – Ela perguntou.
-Nada, eer, está tudo bem? – Perguntei e ela engoliu seco.
-É claro porque não estaria? – Ela sorriu. Sorriu? Ela nunca sorri para mim. Achei estranho ela estar encostada na parede com as mãos para trás segurando alguma coisa.
-Não sei. – Disse. – Quer ajuda com isso, ai atrás? – Perguntei seja lá o que for aquilo que ela escondia.
-Não obrigada, agora eu tenho que ir. – Ela disse passando por mim e saiu andando. E eu claro, fui atrás dela.
-Onde você está indo? – Perguntei seguindo Katarinna pelo corredor.
-Não te interessa Poynter. – Ela disse caminhando até o banheiro masculino onde os jogadores de futebol idiotas ficavam.
-Ô Katarinna, não acha que é meio estranho você entrar no banheiro masculino assim... – Ok ela podia querer ser um garoto, mas entrar no banheiro masculino é apelar!
-Eu não vou entrar ameba! – Ela disse. Ameba? Ninguém nunca me chamou de Ameba! Quem ela pensa que é em? – Eu vou jogar isso aqui! – Ela mostrou o que tinha na mão, uma bombinha daquelas de cheiro sabe? Abriu a porta do banheiro e jogou o troso lá dentro. Contou cinco segundos com a mão e saiu correndo. Eu claro, fiquei lá parado sem entender muito.
-Vem seu nubi! – Ela voltou e me puxou pela mão. Nós dois saímos correndo e logo ela me puxou novamente para dentro de uma fresta entre um armário e outro e fez sinal para que a gente ficasse quietos. Depois de alguns segundos ouvimos os caras que antes estavam no banheiro saírem correndo reclamando.
-PORRA QUE CHEIRO RUIM! – Um deles gritou saindo correndo.
-Quem tacou isso aqui! – O outro gritou. Logo os garotos correram também e o corredor ficou vazio. katarinna saiu primeiro rindo muito e logo eu sai também. Nunca tinha ficado tão perto dela.
-Porque você fez isso? – Perguntei rindo. Ok eu podia ser popular, mas tinha algumas brigas com uns caras do time de futebol.
-Por quê? Porque eu odeio esses ogros do futebol. – Ela disse se encostando na parede e rindo ainda.
-Você sempre faz isso né? – Perguntei ficando em frente a ela.
-Por quê?
-Ah, porque você sempre vai pra diretoria e taus... – Disse.
-Anda me espionando é Poynter? – ela cruzou os braços e arqueou a sobrancelha.
-N-não! – Disse gaguejando. Ok eu estava sim, mas só porque é uma aposta.
-Tanto faz. Odeio esses caras, eles acham que podem tudo e podem ter todos. E ainda por cima são bombados demais. Me irritam. – Ela deu de ombros. Encostada na parede, ela foi escorregando até se sentar ainda encostada na parede. Eu fiquei ao lado dela e fiz o mesmo.
–Por quê? Você é amiguinho deles? – ela perguntou.
-Não, eu também não gosto deles. – Eu não gosto mesmo desses caras e acho que não temos nada em comum, mais o que ela tinha acabado de dizer, realmente mexeu comigo. Ela me descreveu, tirando os músculos.
-Que bom. – Ela disse.
-Olha se me permite dizer, eu sou quase igual a eles e você nunca fez nada pra mim e nem para os meus amigos. – Disse.
-Eu não fiz, porque minhas amigas gostam dos seus amigos. – Ela disse na cara de pau mesmo. Nossa ela tem amigas é? Achei que não tinha.
-Hm... – Soltei sem saber o que falar.
-Agora posso perguntar uma coisa? – Ela disse sem olhar para mim, encarando os armários em nossa frente.
-Aham. – disse.
-Porque você está falando comigo Poynter? – Ela perguntou ainda sem me olhar. Quer mesmo saber? Acho que não.
-Eer, eu preciso de um motivo para falar como você? As pessoas precisam de motivos para falar com as outras?
-Na verdade sim. Principalmente quando as pessoas são você e eu. – Ela disse.
-Bom, eu acho você legal, engraçada, inteligente, diferente só isso, e não me chame de Poynter, me chame de dougie. – Disse fazendo ela rir. Ótimo, ela não tinha engolido aquela. Eu a elogiando? Aham, senta lá! Mas talvez eu estivesse afim de dar uma chance para ela. Nunca tinha visto Kate em baladas ou festas, puds ou em encontros na sorveteria. Ela devia ser mesmo solitária, não devia fazer nada o dia inteiro, passava os dias sentada no sofá da sala, vendo filmes depressivos. Achei estranho ela falar que tem amigas...
-Hey, não precisa ser legal comigo tá? Ninguém nunca é! – Ela disse arregaçando as mangas do blusão da escola. Também né? Quem é legal com meninas que jogam bombas no banheiro alheio? Enfim...
-Não é assim kate... – Disse. Ela deu uma risada breve. – As vezes os problemas somos nós sabe...
-Nós? É essa vida de merda! – Ela disse de um jeito meio revoltado, um jeito Katarinna mesmo. Eu sabia porque ela falava daquele jeito, perder a mãe não deve ser nada fácil.
-Por que você pensa isso? – Porque ela tinha perdido a mãe? Ela não sabia que eu sabia disso, queria ver se ela confiava em mim. Não que eu esteja gostando de conversas com ela ou de ser amigo dela, é apenas uma aposto idiota.
-Não estou a fim de falar sobre isso Poynter... – Ela disse se levantando rapidamente. Eu fiz o mesmo. Ela podia confiar em mim, ela tinha que confiar em alguém...
-Dougie. – Corrigi. – E pode contar. – Eu a segurei pela mão a impedindo de andar. Acho que pela primeira vez, Katarinna olhou para mim. Seus olhos eram verdes! Eu nunca tinha reparado naquilo. Era raro eu ver pessoas com olhos verdes, são sempre azuis ou mel, mas verdes? Eles eram lindos. E ela parecia meio tensa. E olha só! Eu também estava! – Pode confiar em mim...
Ela deu um longo suspirou e tirou suas mãos sobre as minhas, as colocando no bolso.
-Quando eu tinha 10 anos, minha mãe morreu. Já fazia algum tempo que ela e meu pai estavam pensando em divórcio, mas ela ficou gravida do meu irmão mais novo e achamos que não iria mais acontecer. Meu pai ainda queria, mas então em um dia, ela sumiu. Ela pegou o carro e foi viajar, espairecer, eu não sei direito... Não voltou mais e meu pai ficou super preocupado e tudo mais, chamou policia e descobrimos que ela tinha morrido. Uma batida vez ela capotar o carro pelo barranco e parar na praia. O carro pegou fogo e ela morreu carborizada. - Ela engoliu seco.
-Eer, eu não sabia disso... – Mentira! – Sinto muito. – Disse abaixando a cabeça. Ela se sentou novamente e abraçou os joelhos.
-Tudo bem Poynter, ninguém liga para a vida de uma revoltada idiota. – Ela disse dando um longo suspiro e encostando a cabeça na parede. – Idai que ela não tem uma mãe? Com tanto que eu tenha a minha... Ela vai continuar a estranha idiota do mesmo jeito. – Ela disse de olhos fechados. Ah qual é! O pessoal não era assim! Ok, eles eram. Eu fui assim, mas poxa, não sabia que a garota não tinha uma mamãe!
-Eer, Katarinna... você... Você confiar em mim tá? - disse e sorri, esperando que agora ela aceitasse a minha amizade mas... nada. Ela apenas sorriu, e eu tomei como um sim, ou quem sabe um talvez.
Poxa posta mais, até a segunda temporada por favor ... ?
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